A garantia do acesso e permanência de estudantes com deficiência, altas habilidades/superdotação e com Transtorno do Espectro Autista na Educação Superior e Educação Profissional Tecnológica perpassa, sobretudo, por políticas, práticas e culturas inclusivas, que necessitam de inúmeras ações e investimentos, dentre os quais, destacamos a organização de fóruns/espaços próprios, que proporcione o intercâmbio de conhecimentos e experiências.
- A inquietação de docentes, pesquisadores, servidores técnicos, estudantes com deficiência, altas habilidades/superdotação, com transtorno do espectro autista e com outras necessidades educacionais específicas envolvidos diretamente com a Educação Superior e Educação Profissional Tecnológica, indagavam o enorme vácuo existente para discutir a inclusão para além da escola. Movidos por essa necessidade e inquietação é organizado em 2014, o I Congresso Nacional de Inclusão na Educação Superior e Educação Profissional Tecnológica, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), assim como as demais edições até o presente momento.
-
- Este importante evento é o primeiro de âmbito nacional e teve como tema central “Conjugando Igualdade e Diferença como Condição para Assegurar o Direito ao Direito” e contou com a parceria do Ministério da Educação, através da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi). O evento objetivou conhecer as ações institucionais de cunho inclusivo nas IFES, com especial atenção aos Núcleos de Acessibilidade das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). O evento contou com a presença de 222 participantes, que apontaram para a necessidade de adensar as discussões em outras edições, propiciando inúmeros conhecimentos da realidade vivenciada pelas IFES nas ações desenvolvidas para inclusão das Pessoas com Deficiência, Transtorno do Espectro Autista e Altas habilidades/Superdotação.
-
A programação contou com representantes do Ministério da Educação, do Ministério da Ciência e Tecnologia, de Fundações/Organizações e com palestrantes de Instituições de Ensino Superior. Os desdobramentos da plenária final, do evento, apontaram para os seguintes encaminhamentos:
a) Criação urgente de um Fórum Nacional de Coordenadores dos Núcleos de Acessibilidade;
b) Necessidade da organização de uma “rede colaborativa”, visando oportunizar um espaço de diálogo e apoio entre os coordenadores de núcleos de acessibilidade das IFES e suas equipes de trabalho; e
c) Necessidade da continuidade de novas edições do Congresso Nacional de Inclusão na Educação Superior e Educação Profissional Tecnológica.
A segunda edição ocorreu em 2017, intitulada II Congresso Nacional de Inclusão na Educação Superior e Educação Profissional Tecnológica e contou com uma organização interinstitucional com apoio das Universidades Federais do Paraná (UFPR), da Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), de São Carlos (UFSCar), de Goiás (UFG) e do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA). Esta edição objetivou debater o panorama atual e as tendências da política de educação inclusiva na Educação Superior e Educação Profissional Tecnológica, assim como discutir os avanços e desafios dos núcleos de acessibilidade no âmbito das IFES.
O tema principal da segunda edição do evento foi “Educação Inclusiva e as Políticas de Acesso e Permanência no Ensino Superior”. O congresso passou a ser divulgado em uma página da web, oferecendo recursos de acessibilidade. Sua programação contemplou conferências, mesas redondas, palestras, rodas de conversas, reuniões técnicas, sessões de comunicação oral e de pôsteres. De forma concomitante ao congresso, agregaram-se, também, os seguintes eventos: I Encontro de Pesquisadores de Educação Especial da Região Nordeste e o I Fórum Nacional de Coordenadores de Núcleos de Acessibilidade. Aponta-se, ainda, o lançamento de livros e uma programação cultural para acolhimento dos participantes. É essencial dizer que, o evento contou com os recursos e apoios necessários para a garantia da acessibilidade, oportunizado pela colaboração das universidades parceiras. Como resultados do evento, destacamos a elaboração da Carta de Natal, também em versão em Libras a publicação de 97 artigos no Anais do evento.
A Carta de Natal é um documento pela defesa da inclusão das pessoas com deficiência, com Transtorno do Espectro Autista e com altas habilidades/Superdotação que contempla vinte e uma recomendações, que foram resultado das discussões do evento, encaminhada ao Ministério da Educação e Instituições de Ensino Superior e demais representações no âmbito da Educação Superior pela reitora da UFRN, na época, professora Ângela Paiva Cruz. Dentre os aspectos abordados na carta está a importância de se estabelecer a criação, normatização e fortalecimento de núcleos de acessibilidade ou setores correspondentes no âmbito da instituição dedicados à efetivação de políticas de inclusão e acessibilidade na Educação Superior.
Salienta-se que o II Congresso Nacional de Inclusão na Educação Superior e Educação Profissional Tecnológica, contou com mais de 400 participantes (dentre gestores, pesquisadores, docentes, discentes, técnicos e profissionais de diversas áreas), os quais representaram 50 universidades federais (cerca de 80% do total das instituições federais do Brasil na época), quatro universidades estaduais e 17 institutos federais.
Em 2020, mesmo diante da Pandemia Covid 19, ocorre o III Congresso Nacional de Inclusão na Educação Superior e Educação Profissional Tecnológica e o III Fórum Nacional de Coordenadores de Núcleos de Acessibilidade das Instituições Públicas da Educação Superior e Educação Profissional Tecnológica, no formato online no período de 19 a 27 de novembro de 2020.
Considerando a evidência da exclusão, sobretudo do público atendido pelos Núcleos de Acessibilidade, que por diferentes motivos (ausência de equipamentos como computadores, notebooks, falta de acesso à internet, local de moradia, falta de recursos financeiros, desconhecimento de como lidar com o uso da tecnologia informacional, falta de acessibilidade, entre outras) não conseguem participar efetivamente do ensino remoto, o presente congresso traz para sua 3ª edição, o tema “Questões emergentes no contexto da Pandemia Covid 19”. A terceira edição do Congresso buscou promover um espaço coletivo de debate sobre as inúmeras exclusões que às pessoas com deficiência, com transtorno do espectro autista, altas habilidades/superdotação e outras necessidades educacionais específicas vivenciaram na pandemia, assim como o direito a uma Educação de qualidade para todos.
Destaca-se como pontos relevantes do III Congresso Nacional de Inclusão na Educação Superior e Educação Profissional Tecnológica a inscrição de 962 participantes e a publicização da Nota de Repúdio, com versão em Libras, assinada por participantes do evento contra o Decreto Federal nº. 10.502/2020, documento este elaborado em colaboração com a Promotoria de Justiça da Pessoa com deficiência, bem como pela Comissão de Direitos das Pessoas com deficiência da OAB/RN, coordenado pela jurista Margarida Seabra.